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Publicado em 10/11/2008 12:00 Por Larissa Leiros Baron
O Ensino Superior brasileiro ganhou mais de 4,5 milhões de novos estudantes entre os anos de 1980 e 2006. Os dados são resultados da comparação dos últimos censos da Educação Superior do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
Entretanto, a evolução do sistema não se restringe à expansão do acesso. Em seus 200 anos de história, completados neste ano, as transformações atingiram os números de instituições e cursos, que se multiplicaram, bem como a estrutura e a organização do setor, que se modernizou.
Dos três institutos isolados criados com a chegada da Família Real ao Brasil, em 1808, o sistema nacional de Ensino Superior se transformou numa rede com mais de 2.480 universidades, faculdades e centros universitários. O que antes se restringia à elite das principais capitanias - Bahia e Rio de Janeiro -, se torna realidade para 5,9 milhões de
brasileiros, representantes de diversas classes sociais e todas as regiões do País.
O ensino especializado fica mais abrangente. As opções também se ampliaram. Medicina, Engenharia e Artes, que foram as áreas pioneiras, são hoje parte de um espectro composto por mais de 38.233 cursos. Sem contar os 909
cursos seqüenciais que completam a lista de ofertas do Ensino Superior brasileiro.
Apesar dos avanços parecerem positivos, eles ainda não são suficientes para atender a demanda do País. Atualmente,
segundo dados do MEC (Ministério da Educação), apenas 12,1% dos jovens entre 18 e 24 anos estão no Ensino Superior. Índice muito aquém das nações de primeiro mundo ou mesmo de países em desenvolvimento mais adiantados que o Brasil. A Coréia do Sul, por exemplo, tem 89% desse público matriculado no Ensino Superior. O desempenho brasileiro também é inferior ao dos países da América Latina, como é o caso do Chile (21%) e da Argentina (47%).
De acordo com o especialista em políticas educacionais e professor da Unesp (Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho), João Cardoso Palma Filho, as comparações não podem avaliar os dados isoladamente. "A criação do Ensino Superior brasileiro foi tardia", aponta. Palma Filho destaca que, diferentemente dos países colonizados pela
Espanha, o Brasil ganhou a primeira faculdade depois de 308 anos do descobrimento. "A primeira universidade do Peru, por exemplo, foi implantada em 1558", compara ele.
Há certo consenso de que houve caminhos diferentes adotados por Espanha, França, Holanda e Inglaterra em relação àquele escolhido por Portugal no que diz respeito à criação ou não de universidades no Novo Mundo. De um lado, Portugal, que enxergava os estudos como ameaça a seus principais objetivos: usufruir a riqueza brasileira. Os demais decidiram compartilhar as tradições intelectuais com suas colônias. "O Brasil era uma colônia de exploração. Já os Estados Unidos foram criados para a construção de nova nação e receberam os melhores recursos para se desenvolver",
afirma o presidente da Andifes (Associação dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), Amaro Lins.
http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=16885
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